sábado, 4 de fevereiro de 2012

O sentido da teia e das

                                                                         O sentido da teia e das aranhas no Sho Kumo Ryu Ninjutsu
por Simone Delgado
A teia e as aranhas foram os motivos inspiradores da fundação do estilo Sho Kumo Ryu
Ninjutsu concebida pelo Soshi Yoshiake Yamato Sama que num período de sua vida, onde realizava
um treinamento nas montanhas, se depara com uma enorme teia de aranha de 4 metros de
comprimento que unia duas árvores. Esta teia era fruto do trabalho conjunto de pequenas aranhas
e assemelhava-se a um escudo invisível que prendia muitos insetos e pequenos animais que
serviam de alimento para as aranhas. Yoshiake Yamato Sama, ao meditar sobre esta silenciosa
mensagem da natureza, concebeu: “Devemos ser como as pequenas aranhas (sho kumo), que
tecem suas grandes teias tanto para se defenderem como para obterem sua alimentação. A teia
será nossa defesa, nossa estratégia, nosso meio de vencer as dificuldades. De nossos inimigos
(cobras, répteis e insetos) nos alimentaremos. Assim seremos fortalecidos a cada dificuldade
atravessada e conquistada.”
Desta forma, a teia representa as estratégias traçadas por um trabalho em conjunto, sendo
que muitas vezes, este “trabalho conjunto” possa não estar diretamente correlacionada a uma
ação em equipe, mas também implicar em uma ação solitária que conjuga a capacidade de
abstração e de fluir entre vários conhecimentos e habilidades que o homem pode dispor para
vencer seus obstáculos.
É válido dizer que algumas espécies de aranhas de comportamento gregário podem
desenvolver complexos sistemas sociais. O evento de construir as teias num esforço comum a
fim de capturar o maior número de presas possível durante a noite, se torna um interessante fato
estratégico, contudo é ainda mais interessante quando sabe-se que tais aranhas, ao final da
noite, reabsorvem a teia e tornam a construí-las novamente na noite seguinte. Essa reconstrução
diária traz à conotação do incansável esforço e espírito de sobrevivência necessários aos
praticantes do Sho Kumo Ryu.
Além disso, a figura da teia descrita por Yoshiake Yamato Sama, ao unir duas árvores
distantes, relaciona não só a utilização de meios dispostos na natureza, bem como transforma
dois objetos independentes e inadequados para capturar presas em elementos do conjunto
estratégico das aranhas. Assim, a teia se torna um agente unificador, de apoio e sustentação, por
onde é possível fluir e traçar vários caminhos alternativos, realizar operações que continuamente
podem ser modeladas segundo a necessidade imposta.
A teia é ainda um produto direto da aranha podendo ser construída em todas as ocasiões
e reabsorvida como aproveitamento e economia dos seus esforços. Tal fato pode ser vinculado
metaforicamente com o aprendizado do útil e necessário a cada investida estratégica contra um
oponente.
Por fim, o praticante Sho Kumo Ryu Ninjutsu, bem como uma aranha, pode transpor o uso
da teia como um sensor de onde é capaz de perceber, ainda à distância, sua presa ou seu
inimigo, tanto a posição quanto o tamanho; armando dessa forma sua defesa e atentando em
relação à sua segurança, pois a prudência e o movimento certo no momento certo definem a
vitória ou derrota. Muitas vezes, lançar a teia significa, mais que capturar ou atacar, significa
saber envolver o adversário e trabalhá-lo.

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