sábado, 4 de fevereiro de 2012

A HISTÓRIA DO NINJUTSU DEVE SER RECONSIDERADA


A HISTÓRIA DO NINJUTSU DEVE SER RECONSIDERADA
Por SENSEI Albuquerque:.


por Alexei Gorbylyov
Tradução e adaptação de Rodrigo Müller
Hoje em dia em muitos países centenas de livros sobre Ninjutsu são publicados. Muitas das informações alí
contidas são baseadas em duas linhas de informação – os textos da Bujinkan fundada por Masaaki Hatsumi ,
cujas palavras são repetidas por dezenas de seus estudantes em diferentes línguas de diferentes países, e
aquelas formadas por livros mais populares, escritos por autores que querem somente fazer dinheiro com
suas escolas de ninjutsu de autoria duvidosa.
Diferentes autores e títulos buscam também caminhos diferentes para pesquisar sobre o complicado fenômeno
do Ninjutsu. Todos estes “historiadores” (muitos não conhecem sequer a língua japonesa, nem tiveram contato
com as crônicas históricas sobre Ninjutsu) possuem a mesma versão dos fatos: Os ninjas eram representantes
de clãs secretos (a palavra clã é sempre encarada como referência a uma sociedade secreta e não familiar),
baseada em um conhecimento esotérico espiritual do Shugendo (o caminho para obter os poderes
sobrenaturais), com a intenção de manter a harmonia do universo.
Os seguidores do Shugendo não suportavam os desmandos governamentais dos Samurai e estavam sempre
sob ataque dos mesmos. Então, os clãs Ninja desenvolveram uma arte secreta de espionagem, distração e
combate desarmado que mais tarde teve o nome de Ninjutsu.
Porém, os clãs Ninja não eram uma organização de espiões. As pesquisas sérias feitas sobre o assunto apontam
uma busca maior pela iluminação e uma harmonia com o mundo que os rodeava. O estudo dos textos históricos,
da literatura clássica e reais tratados de Ninjutsu, além do trabalho de modernos pesquisadores da história do
Ninjutsu como: Yamaguchi Masayuki, Okuse Heishichiro, Nawa Yumio e outros, encontraram uma imagem
diferente dos Ninja e sua Arte. Aqui eu gostaria de usar um pensamento extraído de um livro do século XVIII
intitulado “Títulos de famílias Samurai” (Bushi myomokusho) : “Os Shinobi no mono executam diferentes
trabalhos de espionagem. Também são chamados de kanja e choja. O seu serviço é penetrar secretamente em
outras províncias e encontrar a real situação no campo inimigo, além de encontrar os seus pontos fracos.
Adicionalmente, alí estando, podem ter que assassinar algumas pessoas. Estes Shinobi são usados em muitos
casos. Também são chamados de mono kiki e shinobi metsuke. Normalmente seu serviço não era fixo. Um
Shinobi usualmente é uma pessoa comum, um ashigaru (pernas leves), um doshin (guarda policial), um rappa,
seppa ou outro que possa ser usado. Perto de Kyoto, nas províncias de Iga e Koga, do distrito de Omi,
existem muitos Jizamurai, que depois da era Onin (1467-1477) organizaram – se em seus próprios bandos,
muitas vezes, assaltando e roubando. Muitos deles acabaram tornando –se mestres em sua arte de espionagem
(kancho no jutsu), depois que seus Daimyo (lordes feudais) os tornaram Ronin (Samurai sem mestre). A
prática usual os fazia espiões. Tinham então o nome de Iga no mono (homens de Iga) e Koga no mono
(homens de Koga). (traduzido do japonês antigo por Koji ruien. Tokyo, 1969, volume 43, página 346).
Estas observações podem ser vistas por diferentes pesquisadores japoneses de Ninjutsu, e não nos causa
surpresa o fato disto estar implícito em muitos destes textos. Quem era o Ninja (ou Shinobi no mono, como
aparece também em vários textos antigos) e qual eram as normas de seus clãs secretos para a manutenção e
desenvolvimento da arte do Ninjutsu ? O que é mais importante nestes textos ?
Primeiramente, os Shinobi no Mono eram espiões militares e serviam aos lordes feudais. A função de espião
não depende do ensinamento de conhecimentos místicos religiosos que era a base da distinção desta categoria.
Por isso, podemos substituir a palavra Ninjutsu nestas ocasiões por Kancho no Jutsu, que era a habilidade de
espionar sem qualquer vínculo com aspectos espirituais. O uso simplesmente da palavra Kancho ou Choja,
que também significa espião, palavra esta de origem chinesa, também é sinônimo de Shinobi no mono. Nestes
casos é importante ressaltar os grupos sociais de onde o Shinobi era recrutado: pessoas comuns, Samurai de
classe baixa (Ashigaru), policiais (Doshin), vários criminosos como seppa e rappa (nome dado no Japão a
bandoleiros das montanhas e campos).
Se adicionarmos aqui o fato de que, em alguns textos como o “Diário da Família Momii” (Momii ke nikki),
aparece o termo Shinobi no Samurai (Koji ruien, volume 43, página 355 – Samurai servindo como um
Shinobi), fica claro que somente alguns homens possuíam habilidades especiais para que pudessem servir
como um Shinobi. Então, a passagem do texto “Buke Myomokusho” que se refere a famosos grupos de Iga
e Koga é muito exata. Existiram muitos Mestres da Arte da Espionagem e eles realmente treinaram e estudaram
as tradições do Ninjutsu e transferiram seu conhecimento através das gerações em suas regiões. Mas estes
mesmos homens de Iga e Koga não foram os criadores da arte da espionagem, pois estes estudos são muito
anteriores ao surgimento do próprio Ninjutsu.
É claro que não podemos vincular o complicado fenômeno do Ninjutsu tomando como base somente esta
passagem. Mas existem muitos outros recursos que corroboram com esta teoria: “As crônicas das cinco
gerações de Hojo”(Hojo Godaiki), “Registros das oito províncias de Kanto”( Kanhasshu Roku), “Crônicas
Militares de Matsuo” ( Matsuo Gunki) e muitos outros textos.
Também é possível tirar conclusões dos modernos historiadores do Ninjutsu, que tentam retirar a imagem
estereotipada deste “invisíveis japoneses”, reconsiderando este pensamento com base em documentos históricos.
Temos tentado obter informações verdadeiramente históricas sobre o Ninja. De fato, esta situação não é tão
desesperadora assim. Existem dezenas de tratados Ninja famosos, como o “Bansenshukai”, o “Ninpiden” e o
“Shoninki”, que foram publicados no Japão em suas épocas. Existe uma descrição detalhada sobre a invasão
de Oda Nobunaga na província de Iga, constante em fragmentos no “Shinchokoki”. Existem também inúmeros
relatórios históricos dos Oniwaban do Shogun e outros documentos. Existem também inúmeras genealogias
de clãs reais Ninja, como os Hattori, os Fujibayashi, os Momochi e outros. E finalmente, centenas de passagens
em muitos Gunki Monogatari, como o “Taiheiki”, “Hojo Godaiki”, “Kanhasshu Roku”, “Matsuo Gunki”,
“Intoku Taiheiki”, “Taikoki” e muitos outros. Por que negligenciar estes recursos ? Por que os ditos
“historiadores” ocidentais não os usam como instrumento de pesquisa ?
Nota sobre o autor: Alexei Gorbylyov é pós – graduando PHD com o trabalho A tradição do Shugendo das Montanhas
Kumano e Yoshino no final do período Heian no Japão, pela Universidade Estatal de Moscou, em seu Instituto de Estudos
Asiáticos e Africanos, na Rússia.
Ele conduziu uma vasta pesquisa da história do Ninjutsu baseada na investigação de velhos informes (atualmente ele está
traduzindo o “Iranki” e fragmentos paralelos do “Shinchokoki”, e “Shoninki” para o russo). Também fez uma pesquisa de
campo extensa (visitou a província de Iga, Ueno, Konan, Koka e Negoro). Em 1997 publicou um livro intitulado “O Caminho
dos Guerreiros Invisíveis. A verdadeira história do Ninjutsu” (Minsk, Belorus, Harvest Publications, 496 p.), em russo, com
uma circulação na primeira edição de 15.000 cópias, devotado exclusivamente às histórias e lendas do Ninjutsu. Também
trabalhou como Editor chefe da maior revista de Artes Marciais daRússia, de nome Kempo. Atualmente trabalha em um artigo
chamado “O clã Hattori. Investigando as origens e a natureza da tradição do Ninjutsu de Iga.”, com tradução em inglês

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