quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Bujinkan Budo Taijutsu

    Bujinkan Budo Taijutsu
                              


Enquanto criávamos a página pensamos numa maneira de explicar o que é a Bujinkan e levamos em conta as perguntas que normalmente vem junto com a primeira. Chegamos então a conclusão que uma maneira interessante de explicar tudo seria através de um FAQ (termo da internet para "perguntas feitas frequentemente").  Portanto lá vai! =)


P: O que é a Bujinkan?

R: Bujinkan é uma organização criada por Masaaki Hatsumi em meados da década de 70 em homenagem ao seu mestre, o Soke Takamatsu Toshitsugu (que faleceu)com o intuito de difundir os ensinamentos das nove escolas que formam a Bujinkan para o mundo. Mostrar ao mundo a beleza e a importância dos ensinamentos contidos na filosofia das escolas assim como mostrar o Budo (caminho do guerreiro) e o Ninpo (regras da filosofia do ninjutsu, que são nada mais nada menos do que preservar a vida, respeitar a natureza, preservar a família, servir ao bem pelo caminho da retidão do bambú, em suma, uma filosofia que protege a vida seguindo valores universais: justiça, honestidade, benevolência, enfim, as virtudes e o bem). A Bujinkan é uma organização que tem crescido bastante, presente em mais de 70 paises atualmente. Segundo estudos é a 5° arte marcial mais praticada no globo. Tem como beleza a mescla das culturas dos diversos povos que seus inúmeros praticantes trazem consigo e os ensinamentos das escolas em um clima de paz e amizade, afinal o lema da Bujinkan é "formar boas pessoas não grandes guerreiros".


P: OPA! NINJUTSU?!?! Como é isso? Explique por favor!

Sim, sempre a magia do "ninjutsu". Diferente do que possam imaginar, ninjutsu nada tem a ver com andar por aí com um capuz preto, fazer acrobacias, cruzar os dedos sem sentido algum, lançar "hadoukens", ou qualquer ato fantasioso da mente humana.

Em realidade o Ninjutsu foi concebido basicamente por duas necessidades: proteger e sobreviver. Porque isso? Bom, nem sempre existiu "paz" como conhecemos hoje em dia, e nem sempre a sociedade e a figura de "Estado" esteve desenvolvido e ou presente em distintas épocas da história.
No caso, o ninjutsu surgiu na idade medieval japonesa, período em que ocorreu uma grande guerra civil por parte dos Senhores Feudais, em busca de poder, terras, etc. Foi uma época triste aonde ocorreu muito sofrimento. Basicamente, a sociedade na época tinha seus pilares nas cidades e arredores, aparentemente sem uma unificação plena (Algo como por exemplo os Reinos na Idade Média Ocidental).
Apenas as pessoas que viviam nelas tinham um mínimo de segurança por parte da policia e da presença do "Estado", autoritário na figura do Senhor Feudal. Mas com a guerra, essa segurança não era lá uma realidade presente. As pessoas que viviam fora das cidades, como por exemplo os fazendeiros e as vilas ao redor das regiões de Iga e Koga (regiões montanhosas do Japão e pouco exploradas na época) nem sempre podiam contar com guerreiros para ajuda-los a se proteger contra ameças, como saqueadores, criminosos, etc.
Com isso, surgiu a necessidade de se preservarem, se defenderem.  Aproveitando os monges guerreiros que viviam nas montanhas (os famosos Yamabushis), guerreiros que se exilaram nas áreas montanhosas, os guerreiros chineses que fugiram das guerras da Dinastia T'ang junto com os fazendeiros e habitantes locais,uniram esforços, começaram a desenvolver e mesclar técnicas de combate e assim começou a se aperfeiçoar o ninjutsu no Japão... adaptando utensílios, criando armas, gerando estratégias, furtividade, camuflagem, ataques, defesas, enfim, a arte que hoje é o ninjutsu.
Essa arte portanto, surgiu com o intuito de defender e preservar. Não o de matar e destruir. Mas claro, a realidade outrora era outra: da guerra. E em tempos de guerra o que importa é a sobrevivência, logo a preservação própria e a defesa da família era o mais importante para garantir o futuro. O ninjutsu foi usado em campo de batalha e em espionagem, inclusive no Shogunato de Nobunaga, ajudando assim a reunificar o Japão e estabelecer uma época marcada pela paz.
Hoje em dia como há muito mais paz do que na idade medieval, podemos treinar a arte de forma muito mais pura, sem necessidade de derramarmos sangue, podemos usar a arte da forma como foi concebida primordialmente: proteger e preservar a vida, a paz e formar boas pessoas.

P: É possível um breve explicativo sobre as nove escolas?

R: É possível mas o "breve" todavia é um pouco longo porque afinal são nove escolas.
Breve explicativo das escolas:
·    Togakure-ryu Ninpo Happo Biken (Escola da Porta Escondida) foi fundada por meados de 1100 por Daisuke Nishina, vassalo de Kiso Yoshinaka. A história conta que Daisuke após perder uma batalha, refugiou-se nas montanhas de Iga no séc XII; e depois que aprendeu muitas técnicas militares, Koshijutsu e Kenjutsu de seu tio Kaagakure Doshi. Muitos estudaram essa ryu, e a passaram para a família de Hattori, do clã Kishu. Depois do século XVII, para a família Toda.
Esta escola é identificada pelo uso de tekko (garras de metal usadas para escalar e defesas contra espada), shuriken e outras armas. A Togakure Ryu Ninpo Taijutsu é um ramo do Koshijutsu.
Existem nove níveis básicos de treinamento chamados de Happo Hijenjutsu:
1- Taijutsu (técnicas do corpo livre), Asukajutsu (técnica do pássaro voador) ou Hichojutsu, Nawanage (lançamento de cordas);
2- Koppojutsu (técnica de romper ossos), Jutaijutsu(técnicas flexíveis do corpo;
3- Sôjutsu (técnica com lança), Naginatajutsu (técnica com alabarda);
4- Teijutsu (técnica de bastão), Hanbojutsu (técnica de bastão médio);
5- Kobannage (lançamento de cabestrante), Kentojutsu (técnica de lançamento de adagas), Shurikenjutsu (técnica de lançamento de lâminas);
6- Kajutsu (técnica de fogo), Suijutsu (técnica usadas na água).
7- Chikujo Gunryaku Heiho (técnica para atacar a soldados que guardavam os castelos).
8- Oshinjutsu (técnicas de camuflagem corporal).
Estas são chamadas de Happo (8 regras)
9- Hiken (espada secreta) abrange o uso da espada, Kodachi (espada pequena), Jutte (arma em forma de cassetete usada pela policia na Era Edo), Tessen (leque de ferro).
Um dos ensinamentos principais desta escola é:
“A violência deve ser evitada”.
Hatsumi Sensei é o 34° Soke (sucessor) desta escola. É a segunda escola mais antiga da Bujinkan Budo Taijutsu.
 
  • Gyokko-ryu Kosshijutsu Happo Biken esta escola é provavelmente a mais antiga da Bujinkan. Trazida por alguém da China chamado Ikai. Segundo Hatsumi Sensei, esta pessoa podia alguém(kai) de algum país estrangeiro. É desconhecido por quem foi trazida estas técnicas, mas se presume que o Koshijutsu que foi desenvolvido é baseado no Kenpo Chinês. Koshijutsu significa “ser capaz de derrubar um inimigo com um dedo”. A Gyokko Ryu se converteu como a espinha dorsal de muitos estilos de artes marciais da região de Iga no Japão.Famosa pelo Kihon Happo, Sanshin no kata e muto taihenjutsu, sistemas que são considerados como os fundamentos básicos da Bujinkan.
Um dos ensinamentos principais desta escola é:
“O coração dos guerreiros é importante é belo”.
Algumas das regras mais importantes são:
Deve-se destruir o poder do oponente, mas não a vida dele.
Os vícios destroem a efetividade.
Não ensinar outrem sem a permissão de seu mestre.
Hatsumi Sensei é o 28º Sôke (sucessor) desta escola

·    Kukishinden-ryu Taijutsu Happo Biken (Escola da Tradição dos Nove Demônios Deuses) O fundador desta escola foi um guarda do imperador Godaigo, chamado Yakushimaru Kurando Takazane. Graças a sua excelente contribuição como guarda, Yakushimaru recebeu o posto de Kuki. Ademais de oito áreas de estudo como Bo (bastão), Yari (lança), Naginata (alabarda), Shuriken (lâminas de lançamento) e Taijutsu, esta ryu usa muito a espada, sendo uma característica dela o combate usando espadas. Porém, naquela época o Japão estava em guerra civil, à espada antes era usada com o intuito de matar, hoje os tempos mudaram para uma forma mais pacífica. A espada mudou sua função para proteger o bem, e não matar como antes. Devido ao fato que em Kuki Sygun (Marinha) se usavam espadas em barcos de madeira, a postura baixa do uso de espada dava melhor equilíbrio, por isso esta base se converteu na forma básica da espada nesta escola.
Era habitual que os guerreiros desta escola usarem armaduras, e isto pode ser constatado por que as técnicas de ataque, em sua maioria, são dirigidas a pontos e zonas aonde a armadura não oferece proteção alguma.
Hatsumi Sensei é o 26º Sôke (sucessor) desta escola.

  • Shindenfudo-ryu Dakentaijutsu Happo Biken (Escola do Coração Imutável transmitido pelos Deuses)
 Este ryu originou-se graças a Minamoto Hachiro Tameyoshi, no século XII. Sua origem se reomnta ao Kosshijutsu que foi introduzido por Izumo Kana Yoshiteru. Uma característica desta escola é o reconhecimento da forma natural da postura humana como única postura de defesa. Na realidade, uma pessoa imagina uma postura de defesa em sua mente e se põe em posição de guarda.
 Um dos ensinamentos principais da escola:
“Saber os princípios da Natureza”.
Na porta do Dojo de Sensei Toda, existia uma série de regras que os estudantes deviam seguir:
1. Deves saber que a paciência é somente um momento.
2. Deves caminhar no caminho da retidão (justiça).
3. Esqueça os desejos e o orgulho.
4. E o arrependimento e a verdade são regras da natureza
5. Obtenha a paz em teu coração através da compreensão do coração imutável, do pensamento a respeito do arrependimento e da verdade.
6. Concentre-se com fé, seja obediente e honrado com seus pais e transforme o teu caminho (o caminho do estudo e do treinamento) no caminho do Bushi (guerreiro).
Hatsumi sensei é o 26º Sôke, sucessor desta escola.

  • Gyokushin-ryu Ninpo Happo Biken (Escola do Coração Imutável) foi fundada em meados de 1500 por Sasaki Oruemon Akiyari. Ela é uma facção de Koshijutsu e uma característica marcante é o peculiar manuseio das armas, assim como um modo superior de uso de Nagenawa assim como projeções. Porém ela se concentra mais no aspecto tático e estratégico de combates.
      Hatsumi Sensei é o 21º Sôke (sucessor) desta escola.
 
  • Koto-ryu Koppojutsu Happo Biken (A escola do Tigre Derrotado)
Foi fundada na metade do século XVI por Toda Sakyo Isshinsai que havia aprendido Gyokko Ryu de Gyokkan, um monge budista. O Koppo originalmente vindo da antiga China e também chamado de Goho. Caracterizava-se pelo uso oculto de armas. Junto com a Togakure Ryu, foi passada a família Toda dos ninjas de Iga. Esta técnica também foi estudada por Momochi Sandayu.
Na antiguidade o treinamento começava golpeando areias e pedras para condicionar as mãos para o combate (atemi no tanren).
 Um dos princípios desta escola ensina:
“Os olhos são tudo”.
Hatsumi Sensei é o 28º Sôke (sucessor) desta escola.

 
  • Gikan-ryu Koppo Taijutsu Happo Biken (Escola da Verdade, Lealdade e Justiça ) fundada no séx XVI por Uryu Hangan Gikanbo. Caracterizada por seus diferentes e difíceis kamaes (bases) em seu taijutsu assim como chutes, ataques de punho e projeções.
    Hatsumi Sensei é o 15º Sôke (sucessor) desta escola.
 
  • Takagiyoshin-ryu Jutaijutsu Happo Biken (A escola da árvore alta e do coração enraizado) foi fundada nos meados de 1600 por Takagi Oriuemon Shigenobu. Famosa na Bujinkan como “A escola dos guarda costas” por suas rápidas e eficientes técnicas de jujutsu e daishosabaki (jujutsu usando duas espadas na faixa do Dogui). Utiliza golpes de luxação, projeções, controles, estrangulações e ataques a pontos vitais.
    Hatsumi Sensei é o 17º Sôke (sucessor) desta escola.
 
  • Kumogakure-ryu Ninpo Happo Biken (Escola Escondida nas Nuvens) foi fundada na metade do séc XVI por Iga Heinaizaemon No Jo Ienaga. Caracterizada pelo uso de Kamayari e pelas técnicas de saltos nos combates e pelo uso de golpe e bloqueios duplos.
   Hatsumi Sensei é o 14º Sôke (sucessor) desta escola.


P: Interessante! O que envolve os treinos? Como são os treinos?O que aprendemos?

Diferente do que os leigos possam imaginar da Bujinkan que para muitos parece ainda algo "exótico" ou desconhecido, o treinamento apesar de distinto é muito similar as outras artes marciais que tem como objetivo o desenvolvimento humano.
O treinamento começa com uma reverência aos antepassados, a Soke Hatsumi e a todos os presentes. Após isso ocorre o aquecimento, a execução de técnicas base/fundamentos (Kihons) e então algumas técnicas são estudadas de forma a propiciar o desenvolvimento de Taijutsu (a arte da expressão corporal, de usar 100% do corpo).
O treinamento físico visa o fortalecimento do corpo em todos os aspectos como agilidade, coordenação, reflexos, elasticidade, força e resistência muscular, postura. Esses aspectos são desenvolvidos devido às técnicas praticadas assim como a divisão metódica das aulas em alongamentos, exercícios e técnicas, visando uma melhor proteção do praticante assim como melhor condicionamento físico. Durante o treinamento físico treina-se também o aspecto mental desenvolvendo a percepção, raciocínio, reflexão, análises de situações, assim também como filosofia, valores de vida, condutas morais, enfim, disciplina para o estudante. O treinamento espiritual ocorre em um grau um pouco mais avançado do treinamento, desvinculado de qualquer religião, tendo este aspecto do treinamento o objetivo de refinar o espírito do praticante através do desenvolvimento de um sentimento de  paz interna.
Estes três aspectos caminham juntos, pois o espírito não existe neste plano sem um corpo e um corpo não é nada sem uma mente, por isso estes três aspectos são desenvolvidos conjuntamente. Assim como ao aprender uma técnica física como uma torção, por exemplo, é necessário saber como aplicá-la não só com o movimento físico, mas mentalmente  visualizar também o momento a ser aplicada, a situação que ela pode gerar, as conseqüências que podem trazer. Por isso, o treinamento engloba estes três aspectos.
O progresso do treino ocorre através de treinamentos em Taihenjutsu, técnicas que incluem quedas, rolamentos, saltos, posturas, esquivas; dakentaijutsu que são técnicas de ataque corporal usando o corpo/utensílios/armas, como aplicar e como receber ataques e jutaijutsu que são técnicas que envolvem projeções, estrangulamentos, torções - como aplicar e como escapar.
No início, treinamento com armas é limitado a prática de como evitar ataques - para vencer o medo de um objeto vindo contra si e aprender o uso e a dinâmica da perspectiva de "se defender contra algo". Mais tarde no treinamento, com a evolução do Taijutsu, o aluno começa a compreender a perspectiva do "se defender com" uma variedade de armas.
No início, o treinamento de Katas/Kihons dão bons exemplos do "o que posso fazer aqui" ou "como eu posso me mover para obter um resultado". De qualquer forma, com a evolução gradual, o praticante é encorajado a explorar as aberturas que naturalmente aparecem na movimentação pessoal e na aplicação espontânea de técnicas baseadas nos princípios contidos dentro dos Katas/Kihons. Essa fluidez natural é um dos aspectos mais importantes do treinamento das escolas.


P: Legal! Armas! Quais armas são usadas na Bujinkan?

Praticamente toda arma branca tradicional japonesa é usada na Bujinkan. Desde espadas (tachi = longa katana = média wakizashi = pequena), bastões (Jo = maiores bo = medianos... na altura do queixo hanbo = metade de um Bo), uso de cordas e armas lastreadas, de haste (como a naginata, a lança (yari), armas de arremesso (como Shurikens que tem as mais variadas formas.. desde estrelas de 4 pontas até pequenas lâminas) e outras.

P: HHMM... e como é a organização/graduação da Bujinkan?

Acesse nossa página explicativa sobre a graduação na Bujinkan e veja por si mesmo. =)

P: Interessante.... mas eu não treino nada a um tempão, nem pratico esportes... estou fora de forma. Não posso treinar então? Putz! E se eu começar agora, eu não vou ser horrível comparado com outros alunos?

As regras da Bujinkan são claras: é necessário que o aluno declare que não tenha problemas de saúde para poder treinar. Se o seu médico lhe dá o sinal verde para praticar artes marciais, é o que basta. Não há restrições quanto a sexo ou idade. Se está fora de forma, acontece. Boa forma física aparece com a prática de atividades físicas.
O treinamento da Bujinkan também é um ótimo exercício aeróbico que serve para condicionar a capacidade cardiovascular, manter a forma (assim como qualquer arte marcial), e o condicionamento físico como um todo (com exercícios, execuções das técnicas, alongamentos, etc). E a arte da Bujinkan é algo que ela se adapta ao aluno e não o aluno que se adapta a ela.
Como no colégio, não é possível querer que um aluno da 2° série faça as mesmas tarefas/estudos de um aluno da 2° série do 2° grau não é mesmo? Mesma coisa no Dojo. Mesmo que haja alunos mais antigos e por causa de treino, mais aptos por estarem acostumados ao treinamento, de forma alguma isso faz com que o novato seja menos apto a prática e de forma alguma os novatos devem se sentir intimidados com isso.
Pelo contrário... a vantagem do aluno mais antigo é a experiência e o aluno antigo deve ajudar o mais novo (entra a figura do Senpai japonês, que é o aluno antigo que é responsável pelos novatos) para este se desenvolver melhor. Logo não faça comparações, siga treinando lento e gradualmente respeitando os seus limites. Se hoje tu corre 1km... amanhã é 1k e 100m.. e por aí vai se aprimorando , quando menos espera se está tão apto ou mais do que alunos mais graduados. Mágica? Não.. treinamento.

P: Certo. O que eu preciso para treinar?

Simples. Se tiver um Kimono de alguma arte marcial pode usar, se não tiver, é bom comparecer com roupas adequadas a prática de atividades esportivas como por exemplo um abrigo de moleton (nada de bermudas, porque a atividade física faz suar muito e ninguém quer ver um tatame com poças de suor não é? Por isso, use calças. Os presentes no Dojo agradecem!) é o ideal. Não é cobrado o uniforme aos novatos porque estes estão em fase de adaptação.
Podem gostar ou não das aulas, podem dar uma pausa no treinamento por N razões e exigir que comprem o Dogui (uniforme) sem terem certeza se querem seguir com o treinamento é um tanto errado, afinal é um gasto. Logo, uniformes só são cobrados de alunos que realmente queiram seguir com o treinamento.



A Diferença entre Ninjas e Samurais

                  A Diferença entre Ninjas e Samurais



Os Samurais serviam como soldados da aristocracia do Japão entre 1100 e 1867. Com a restauração Meiji a sua era, já em declínio, chegou ao fim. Sua principal caracteristica era a grande disciplina, lealdade e sua grande habilidade com a Katana.

Um termo mais apropriado para Samurai é Bushi (武士) (significando literalmente "guerreiro ou homem de armas") que era usado durante o período
Edo. No entanto, o termo "Samurai" refere-se normalmente à nobreza guerreira e não por exemplo à infantaria alistada. Um Samurai sem ligações a um clan ou Daimyo era chamado de Ronin (literalmente "homem-onda"). Ronin são também Samurais que largaram a sua honra ou aqueles que não cumpriram com o Seppuku, que significa dividir a barriga, de modo a repôr a honra do seu clan ou família. Samurais ao serviço do Han eram chamados de Hanshi.

Era esperado dos Samurais que eles não fossem analfabetos e que fossem cultos até um nível básico, e ao longo do tempo, durante a era Tokugawa (também chamada de período Edo), eles perderam gradualmente a sua função militar.

Pelo fim da era Tokugawa, os Samurais eram burocratas aristocráticos ao serviço dos Daimyo, com as suas espadas servindo para fins cerimoniais. Com as reformas da era Meiji, no final do século XIX, a classe dos Samurais foi abolida e foi estabelecido um exército nacional ao estilo ocidental. O rígido código Samurai, chamado Bushido, ainda sobrevive, no entanto, na atual sociedade japonesa, tal como muitos outros aspectos do seu modo de vida.


Ninjas

Eram membros de uma organização secreta mercenária de infiltração, no Japão feudal do século XIV. Seus trabalhos envolviam espionagem, assassinato, sabotagem, dentre outros.

Ninjas seguiam um código de conduta, o Ninpo. Atualmente existem pessoas que praticam uma arte marcial baseada nas técnicas dos Ninjas, o Ninjutsu.

As espadas Ninja, conhecidas por Ninja-To, eram devidamente adaptadas a suas técnicas. Ao contrário da espada Samurai, a Ninja-To possuía a lâmina reta, para que o seu ocultamento fosse facilitado e para que ela produzisse menos ruídos ao ser usada.

Além das espadas, os Ninjas utilizavam também vários outros equipamentos e armas, que eram importantes recursos em suas missões. A Kaginawa, ou corda com gancho, era muito utilizada para ultrapassar muros e similares. Alguns loucos do pão facilitavam a prática da escalada e posteriormente vieram a ter outras utilidades, como, por exemplo, servir de arma e instrumento de defesa. Algumas escolas usavam bombas de fumaça para facilitar suas fugas.

Shakens ou Shurikens, as conhecidas "estrelas Ninja", também eram utilizadas largamente. O Shinobi Shozoku, ou uniforme Ninja, tinha por função camuflar o Ninja no ambiente, de modo a facilitar a sua "invisibilidade". Assim sendo, na maioria das vezes ele era totalmente preto, pois os Ninjas costumavam trabalhar à noite.

Um fato curioso é que também havia mulheres Ninja, denominadas Kunoichi. Entre outras vantagens características delas, as mulheres Ninja usavam a sedução no trabalho, pois além de seu treinamento normal junto com seus companheiros do sexo masculino, também recebiam treinamento especial na arte da sedução, na arte de elaboração e aplicação de venenos e usavam o Tessen (leque) com lâminas de metal, assim como as das espadas. Atuavam combatendo ou seduzindo homens de alto poder político; com a sedução elas conseguiam maior facilidade em obter as informações secretas de que precisavam.

Os Ninjas não trabalhavam por interesses pessoais, eram contratados por senhores feudais para executar serviços de sabotagem, assassinato ou apenas espionagem, seu código de honra impedia que ele fosse capturado vivo, para evitar tortura e a revelação dos interesses daquele que o contratou, sendo assim, o Ninja cometia suicídio.

A arte dos Ninjas é denominada Ninjutsu. O Ninjutsu é talvez a mais complexa e completa de todas as artes marciais, pois possui vários ramos e técnicas específicas para determinadas situações, o que o torna muito difícil de se definir. Atualmente, 9 escolas tradicionais de Ninjutsu estão reunidas numa organização mundial que se denomina Bujinkan (Organização do Deus Guerreiro) que tem como Soke (Grande Mestre) Masaaki Hatsumi, perfazendo uma tradição de mais de 3000 (três mil) anos que, segundo a tradição, foi iniciada pelo Soke Daisuke Shima (Togakure). Cada escola tem as suas peculiaridades e preferências por determinados estudos. Entre as inúmeras técnicas do Ninjutsu, estão: a arte da invisibilidade, luta desarmada e armada (envolvendo o manejo de espada, bastão, lança, armas com corrente e outras mais exóticas), pressão de pontos vitais (o que podia levar o adversário a dores insuportáveis ou até mesmo à morte), técnicas especiais de fuga, métodos de caminhar silenciosamente, escalada de obstáculos, luta dentro d'água, envenenamento, hipnose, treinamento de flexibilidade das juntas (o que facilitava fugas de amarras) e, finalmente, a arte dos disfarces, que envolvia também técnicas de dramatização, o que possibilitava o Ninja se passar por outras pessoas.

Apesar da tradição de 3000 anos, as primeiras aparições
Ninja vão ocorrer, no Japão, a partir do séc. VI até a era Meiji, no séc. XIX, a utilização desses agentes como espiões foi aos poucos diminuindo e adentrando, novamente nas brumas da história, para renascerem mais tarde, por exemplo, durante a Guerra Russo-Nipônica em 1905 e no período que marca a Segunda Grande Guerra 1939-1945. Um registro importante é que, enquanto os Samurais ainda procuravam entender a eficiência das armas de fogo levadas ao japão pelos portugueses, os Ninja de pronto já incluiram essas armas em seu arsenal e passaram a utilizá-las em suas operações. Fato é que os Ninja, com a restauração Meiji, foram integrados às forças policiais e militares do Japão e isso ocorre até hoje, não só no Japão, mas no mundo, porquanto o Ninjutsu já é uma arte marcial espalhada pelo planeta e utilizado em larga escala pelos organismos estatais que necessitem silêncio e eficiência em suas operações. O universo Ninja ainda é tema constante na indústria do entretenimento japonês, sendo explorado nos games, mangás e desenhos animados. Com certeza o que mais fascina o ocidental nesses formidáveis guerreiros é o mistério que os cerca, mistérios milen

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

切腹 Seppuku

切腹
Seppuku
seppuku

O Seppuku (切腹) ou popularmente chamado de Harakiri (腹切り) é o termo formal para o ritual de suicídio. O termo significa literalmente cortar a barriga, estômago ou estripamento. Era cometido, na maioria, por guerreiros, principalmente os Samurais, mas, também por outras classes. O Seppuku Foi um aspecto desenvolvido no Japão feudal (1192-1868) e está intimamente ligado ao 武士道 Bushidô ou Caminho do guerreiro, um conjunto de códigos de éticas desses guerreiros. A origem de ambos está conectada fundamentalmente aos principais segmentos religiosos que influenciaram a cultura nipônica, Budismo, Shintoísmo e ao Confucionismo, e antes do aparecimento do Samurai como uma classe de guerreiro profissional, era totalmente estranha ao japonês.
Herdou o alento ao se encarar a morte e o desapego pelas questões materiais do Budismo, a lealdade ao senhor feudal, a relação com a sociedade e a importância da família do Confucionismo e o respeito para com a natureza, local de origem, com o feudo e a estima pela essência, o espírito, que há em tudo do Shintoismo.
O Seppuku podia ser feito para recuperar a honra pessoal ou limpar o nome da família, caso essa honra fosse perdida em alguma atitude indigna, evitar ser capturado em campo de batalha ou por pura lealdade ao 大名 Daimyô e acompanhá-lo eternamente.
葉 隱 No livro Hagakure "Escondido pelas Folhas" ou "Folhas Escondidas", escrito por um Samurai do século XVII, 山本常朝 Tsunetomo Yamamoto, a aceitação resoluta da morte fica clara no trecho: "Descobri que o caminho do Samurai é a morte".
seppuku2Dois exemplos claros dessa atitude considerada digna de um guerreiro que segue o Bushidô são visto em relatos de duas épocas distintas. No primeiro Seppuku documentado da história, praticado por 源 頼政 Minamoto No Yorimasa no século XII, até o de 三島由紀夫 Yukio Mishima no século XX, o suicídio por "estripamento", constitui um gesto limítrofe e distintivo do código samuraico.
Existem outros relatos históricos de crianças, adolescentes, mulheres e grupos numerosos de Samurais praticando o Seppuku quando o Bushidô o exigia. Mas, a prática do Seppuku se tornou um privilégio do Samurai, ele tinha o direito de usá-lo para se desagravar de uma injustiça, para manter sua honra ou simplesmente para sugerir o caminho correto ao seu superior.
Quando o Samurai estava no campo de batalha, eles freqüentemente cometiam o Hara Kiri rapidamente, sem muita preparação formal. Mas, em outras ocasiões, como por exemplo, quando era ordenado pelo senhor feudal ou Shogun, o Seppuku era uma cerimônia muito formal, enquanto requeria certa etiqueta, testemunha e preparação considerável.
Era um ritual que seguia sempre a mesma ordem: o Samurai banhava-se para purificar seu corpo e a sua alma. A seguir vestia a roupa específica do Seppuku, totalmente branca, tomava uma xícara de saquê, sempre em dois goles, e a seguir escrevia um ou dois poemas de despedida. Então deveria ajoelhar-se e pegar o tanto-seppukuTantô, Wakizashi ou um punhal, previamente preparado, para enfiar na barriga, no lado esquerdo, e cortá-la então, até o lado direito deixando assim as vísceras expostas para mostrar sua pureza de caráter. O Seppuku era horrivelmente doloroso, mas o Samurai, de acordo com o seu código de honra, não podia demonstrar dor ou medo ao realizá-lo.
harakiri1No mundo dos guerreiros, o seppuku era um feito de bravura que era admirado em um Samurai que sabia haver sido derrotado, caído em desgraça ou mortalmente ferido. Significava que ele poderia terminar seus dias com os seus erros apagados e sua reputação não apenas intacta como engrandecida. Porém, o corte do abdômen liberava o espírito do samurai da forma mais dramática, sendo uma forma extremamente dolorosa, lenta e desagradável de morrer. Não raro, o Samurai, após abrir o ventre, permanecia vivo por horas ou mesmo dias, esvaindo-se em sangue e ao mesmo tempo sentindo uma dor indescritível. Por isso, algumas vezes o Samurai tinha a permissão de pedir a um companheiro leal que fosse seu assistente e lhe cortasse a cabeça antes que esta pendesse ou que demonstrasse não estar mais suportando a dor.
Kaishaku2O 介錯者 Kaishakunin ou mediador do suicídio, ficava em pé ao lado para executar o 介錯 Kaishaku, um corte no qual o guerreiro seria quase decapitado, então. A manobra deveria ser feita na forma conhecida como 抱首 Dakikubi (pescoço abraçado), na qual o corte tinha que manter uma porção fina da carne prendendo a cabeça, de forma que ficasse pendurada na frente como se abraçasse a mesma. Por causa da precisão necessária para tal manobra, o auxiliar deveria ser um espadachim qualificado. Normalmente o Dakikubi acontecia assim que o punhal fosse mergulhado no abdômen. Eventualmente até mesmo a lâmina foi desnecessária e o Samurai poderia usar algo simbólico como um leque e isto acionaria o golpe mortal do Kaishakunin. O leque foi usado quando o Samurai era muito velho para usar a lâmina, ou em situações onde era muito perigoso dar-lhe uma arma em tais circunstâncias.
O Kaishukunin normalmente era, mas não sempre, um amigo. Se um guerreiro derrotado tivesse lutado com honra e astúcia, o oponente podia saudar a sua coragem oferecendo agir como o seu Kaishakunin.
Não é fácil ao ocidental compreender essa capacidade de sacrifício do Samurai, sobretudo quando, sabidamente, e num grau pelo menos tão elevado quanto o de qualquer ocidental, o Samurai prezava, a despeito de sua frugalidade espartana, os prazeres e valores da vida. Até mesmo, aos próprios orientais é difícil explicá-la.
O samurai não vivia única e eternamente em batalhas e duelos. Sob tais condições é uma verdade segura e cristalina que o destemor da morte e a disposição ilimitada de perder a vida são as precondições para salvá-lo. Em tais casos, a disposição de morrer se confunde com a coragem ilimitada, a bravura produzida pela eliminação total do medo. Entretanto, além de um guerreiro em situações de batalha, onde tais virtudes lhe davam um valor militar reconhecido por todos seus adversários, o Samurai, como homem, exercia outras funções e em todas elas não perdia de vista o seu caminho, o Bushidô:
"O bushido é morrer. Se mantiveres teu espírito correto da manhã à noite, acostumado à idéia da morte e resoluto perante ela, e se te considerares com um corpo morto, unificando-te desta forma com o caminho do guerreiro, poderá passar pela vida sem possibilidades de falhares, desempenhando-te corretamente tuas funções"
Diz o Hagakure precisamente, "viver consiste em morrer. Em se estar preparado para a morte. Para morrer como um homem. Um homem se reconhece de dar sua vida. Não apenas numa batalha, mas em tudo aquilo que faz. Não apenas na morte - que, para um guerreiro, sobretudo, pode ser o ponto mais alto ou mais baixo de sua vida - mas a cada instante e ato de sua vida."
Tal entendimento se filia a um dos preceitos enunciados no "Regulamento" do Daimyô 加藤 清正 Katô Kiyomasa quando sentencia: "Em tudo o que um homem faça deve ter posto o seu coração".
É indiscutível, comenta 古川哲史 Furukawa Tesshi buscando o sentido essencial do Bushidô - que "todo ser humano contém em sua constituição um limite supremo que o solicita constantemente (...). Na proporção da intensidade e sinceridade com que um indivíduo corresponde às solicitações desse limite supremo, suas possibilidades são ampliadas e enriquecidas. Um homem pode ampliar e enriquecer as possibilidades de sua existência ao máximo, morrendo a cada manhã, a cada tarde, a cada instante, isto é, mantendo-se permanentemente de frente com o limite máximo de sua existência no mundo" - que é a morte.
Aqui chegamos, como freqüentemente sucede ao analisarmos as formulações aparentemente antípodas da sabedoria nipônica, ao encontro e solução dos contrários.
É algo bastante conhecido, e igualmente misterioso para o entendimento ocidental corrente, que um dos homens que mais amou a vida, seus encantos e seus valores, dos mais simples aos mais elevados, haja indicado a morte como o verdadeiro caminho da vida. Cristo disse: "Aquele que estiver ansioso por salvar sua vida a perderá e o que estiver disposto a perdê-la a salvará".

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Por mais diversos, ou até opostos como podem ter sido e foram seus caminhos, o mártir cristão e o grande samurai concordavam com a relação ao preceito ético supremo de uma vida exemplar; não achará a vida quem não buscar a morte, ou mais brandamente enunciado: quem em qualquer causa e ato em que empenha não estiver disposto a dá-la.

Japão: A terra da árvore - 三心の型 Sanshin No Kata Forma do espírito de três corações

Japão: A terra da árvore - 三心の型 Sanshin No Kata
Forma do espírito de três corações


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Um monge disse uma vez: "Centenas e milhares de folhas crescem de uma raiz".
Claramente falando, o monge estava dizendo que mesmo uma árvore gigante com pequenos galhos e milhares de folhas provêm de uma semente. Sem a semente nenhuma árvore crescerá. A árvore gigante depende para seu crescimento de um sistema de raízes.
Decidi ter uma conversa com a árvore gigante. Segue a conversa entre a árvore e eu:
"Olá, grande árvore! Quantos anos têm?”.
"Não tenho idéia. Existem tantos anéis anuais em meu corpo que me dificulta contá-los”.
"É possível. Recordas quando era pequenina?”.
"Sim, recordo-me comendo deliciosos Nitratos, Ácidos fosfóricos e Potássio, todas as boas matérias que me ajudaram a crescer forte e grande”.
“Bem, grande árvore, para nós artistas marciais, temos um ensinamento do espírito de três corações (Sanshin No Kata). Esses ensinamentos estão baseados em que o espírito de uma criança de três anos está com um homem, mesmo que tenha cem anos. Nós reconhecemos a importância da primeira infância e guardamos como um tesouro esses importantes anos, quando se vive ignorante do ego, da independência e da consciência”.
“Esse Sanshin No Kata descreve-se em uma seção dos ensinamentos secretos do Gyokko Ryû, que ensina princípios que temos que aprender por nós mesmo com o espírito de três anos, não esquecendo o espírito incluso ainda que pensem que realizam essas técnicas”.
"Ei, que é isso?" - pergunta a grande árvore.
“Bom, posso mostrar-te o 型 Kata. Este Kata representa o sentimento mais importante como artista marcial. São movimentos muitos simples, coisas que fazemos intrínsecos e naturalmente. O fundamento do Sanshin No Kata é artístico, porém também muito singelo. O movimento do seu corpo enquanto o faz é bastante diferente que os movimentos do Kihon Happô”.
Há um total de dez Kata: cinco para a parte direita e outros cinco para a esquerda. Esses dez Kata também são chamados de 初心五型 Shoshin No Kata no 伝承 Denshô. Os cincos Kata estão classificados como os cinco elementos da natureza, que são Terra, Água, Fogo, Vento (Ar) e Vazio.
“Pelo treinamento desses 5 Kata, um estudante começa a reconhecer os 5 elementos e a verdade da natureza”.
Após mostrar os Katas, minha conversação com a árvore continua:
“Move-te de forma muito natural” – sussurra a árvore.
“Exato, contesto. O ponto deste Kata é mover-se naturalmente. Muitos de nós esquecemos a importância de ser simples e natural hoje em dia. Ouso demasiado acerca de cinzas letais, chuvas ácidas e outras contaminações do ar que é o resultado do dano que agente faz na natureza”.
“Eu sinto amigo árvore, sinto que nós tenhamos causado todos esses males. Por isso e que tento difundir o Budô a tanta gente como seja possível para que nós possamos preservar a Natureza. Quero formar um circulo maior de 武友 Buyu (amigos de artes marciais) que cuidem da Natureza. O Budô nos ensina a fluir com a natureza, não contra ela”.
“Se o fazem assim, nós as árvores podemos continuar satisfazendo-lhes com mais oxigênio”.
“Muita grato, eu aprecio sua ajuda. Tenho muito que fazer, tal como conscientizar as pessoas de suas ações destrutivas e que devem parar para que sejam melhores seres humanos. Minha vocação também me diz que devo elevar a relação de instrutor e estudante ao nível de Buyu, para que sejamos todos amigos, com nada de inferior ou superior ao outro. Essas coisas são muito difíceis de alcançar”.
“Posso entender seu desespero, 宗家 Sôke. Quando a gente cresce tendemos a mudar e separar-se para seguir o próprio caminho. Os animais se separam por si mesmo de seus pais e as folhas caem de nós, árvore. Assim é a lei natural. Quando crescemos e encontramos nossa própria identidade, mudamos e saímos de nosso lugar de origem onde fomos criados”.
“Isto é inevitável meu majestoso amigo. Há quatro estações no Japão e nós apreciamos a beleza de cada uma delas. Essa beleza aumenta especialmente no tempo de mudança estacional. Há tristeza e solidão na beleza das estações. À medida que as estações mudam e amadurecem, vemos mais claramente sua beleza. A rainha Elizabeth mencionou uma vez que a Natureza é bela por suas mudanças”.
“Concordo contigo em que a beleza da natureza é mais aparente quando muda” – replica a árvore.
“Eu tenho uma pequena sensação de que minha relação com os estudantes é algo instável. Podes compará-lo com a mudança da Natureza. Algumas vezes nossa relação era como uma explosão de um vendaval. Sentia-me perdido e muito solitário. Comparo esses momentos com as estações. A queda está representada com a queda das folhas e o inverno com a neve cobrindo as montanhas, eles eram frios e ásperos. Porém a mudança de paisagem alivia meu coração solitário. Quando admiramos o sinal da chegada da primavera. Antes de dar-te conta, nós seremos maiores e outros anéis anuais estarão aderidos. Nós devemos ir através do Outono e o Inverno de nossa vida antes de poder realmente apreciar a primavera. A vida e a Natureza são muito semelhantes”.
“Assim que você se mantém no caminho” – suspira a árvore.
“Exatamente. Eu comecei a compreender o que Takamatsu Sensei queria dizer com “武風一感 Bufu Ikkan” (o consistente caminho das artes marciais). Significa que 武風 Bufu (o caminho das artes marciais) envolve diferentes aspectos da vida, igual a um ano que tem quatro estações e cada estação tem um ar ou vento diferente, tal como o vento da primavera, o vento do verão, o vento do outono e o vento do inverno. Sr. Grande árvore, há algo que temas agora, já que tenha se tornado tão grande?”
“Não gosto do vento forte, porém o que realmente temo são os raios. Você vê muitos homens buscar refúgio em uma grande árvore viva. Eles tratam de buscar os favores de um mestre adulando-los, pensando que eles também serão tão magníficos como seu mestre porque o cuida. Esquecem que as bajulações não conduzem a nenhuma parte, e sim, continua buscando favores em lugar de treinar para ser melhores, pode encontrar-se com o maior inimigo da grande árvore, o raio. A mais alta das árvores é que tem maiores possibilidades de encontrar-se com o ataque do raio”.
“Tem um ponto nisso, Sr. Árvore”.
“Por isso algumas das grandes árvores crescem em largura ao invés de altura. Elas ainda que sejam bonitas, são por isso chamadas de engenhosas porque não querem ser alvo dos raios, com tanta freqüência como a árvore alta”.
“A forma da vida para a árvore e o homem poderia ser similar” - contestou pensativamente.
“Hatsumi 君Kun. Tenho entendido que eis um 忍者 Ninja. Podes ir livremente pelo mundo enquanto que eu estou preso a terra pelas raízes e não tenho liberdade de movimento”.
“A essência é a mesma, gigantesca árvore, o mais importante para um homem são suas raízes. Temos que permanecer firmemente sobre a terra, sendo nutridos por suas raízes. As raízes subministram à verdade que é mais importante para o homem. A menos que não tenhamos raízes não podemos uma vida integra”.
“Não entendo o que estais falando”.
“Na medicina oriental o fígado e os rins são considerados a chave da saúde. Se nem se quer uns dos órgãos estiver funcionando corretamente, tende a cair enfermo. No 武道 Budô, a chave de um caminho saudável é ter 神心神眼 Shinshin Shingan (Coração de Deus e Olhos de Deus), igual como saudáveis fígado e rins que são a chave de uma boa saúde. Assim, o 忍者 Ninja tem que ter um coração de justiça e usar o método correto para lutar pela justiça contra a maldade. O método correto vem não somente de sua vontade, sim de alguma força natural, algo que pode chamar-se Deus. Com o objetivo de adotar ou receber este método corretamente se necessita das raízes porque elas trabalham como antena. A menos que obtenha o método correto e saiba como utilizar-lo apropriadamente, não serás um Ninja”.
Takamatsu Sensei me deu uma pintura (estilo Chinês) representando o outono de 30 anos atrás. A pintura aclara minha mente toda vez que vejo, como se o Sol estivesse brilhando sobre mim. Pergunto-me se chegarei a ser um verdadeiro 武道家 Budôka. O quadro descreve uma inigualável natureza com árvores sem frutos e folhas amareladas. Estou muito contente de saber que a relação entre Takamatsu Sensei e eu derivou em algo de que me sinto muito orgulhoso.  Estivemos muito unidos como professor e estudante durante toda nossa relação e nunca se rompeu de maneira que essa relação se converteu em algo mais que 武友 Buyu. Pelo contrário, me entristeço quando um de meus estudantes me abandona, como uma folha de outono caindo da árvore. Recordo-me do poema de O’henry, “Uma folha”.
Escrevi um poema com respeito à árvore esperando que alimente sua mente e ajude a melhorar sua técnica quando treinar o 初心之型 Shoshin No Kata. Por favor, leiam o poema e deixa falar a seu coração.
Assim todos vocês, amigos do 武道 Budô, usem o 道場 Dôjô como se fosse a última fez. Sou um homem velho e solitário. Seria feliz vivendo com vocês, para que possam me alegrar com seus corações quentes.

A MENSAGEM DA GRANDE ÁRVORE
Um vento frio invernal sopra através de mim e me pergunto por que me sinto tão frio por dentro.
Cada folha da árvore queria me dizer algo, sentindo-me triste pelas mudanças do coração de tantos homens.
Por alguma razão elas marcham sem palavras.
Um dia frio invernal, nenhuma folha na árvore. Uma árvore descoberta permanece heroicamente por si própria.
Não sente frio, grande árvore, sem suas folhas?
Sim, porém somente se estiver descoberto pode a luz do sol chegar mais a ti.

Nascemos ou fomos plantados?

Nascemos ou fomos plantados?

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Existem teorias aos montes, cuja origem remonta às mais antigas religiões e associações de estudos, que afirmam ser o homem oriundo de experimentos mal sucedidos neste planeta.
Não é minha intenção justificar umas ou outras, mas sim usar um pouco de razão e análise para saber se há algum bom senso nessas afirmações. As análises são feitas com o uso do pensamento e do conjunto de informações obtidas de conhecimentos gerais e amplos, destituídas de preconceitos. Não cito nomes nem livros, eu pesquisei e concluí sem precisar ser convencido, de forma que qualquer indivíduo pode e deve pesquisar livremente e concluir por si mesmo.
Parte-se do princípio de que, com ou sem religião, uma criação foi realizada. Vinda ou não de um deus prolífico, ou mesmo tendo surgido de concepção espontânea, no berço das probabilidades ocasionais e em tempo e local propício.
De fato, o que existe, assim o é porque está existindo, independente das percepções humanas. Pode existir tudo aquilo que foi criado ou que surgiu de qualquer maneira.
É natural do humano acreditar naquilo que sente, pois há uma ligação entre os objetos e as sensações. Essa ligação é inata e está localizada nos sentidos. Como os sentidos estão, por sua vez, localizados no corpo, tudo aquilo que pode ser experimentado pelo corpo é evidenciado como existente, a começar pelo próprio ser que experimenta.
A premissa de que a existência de tudo está ligada a experimentação humana torna dificultosa a aceitação de que possa existir algo não experimentável. Pior ainda é a motivação secular em acreditar na soberania do humano sobre tudo. Essa exacerbação de importância leva a acreditar falsamente que não pode haver, em lugar ou tempo, algo que seja mais inteligente. Daí a idéia encerrada na mente de que o humano é o único capaz de raciocinar com grande inteligência, pois tudo existe para o uso e experimento do homem.
Maior malefício é afirmar que a criação tem as feições do todo-poderoso criador. Isso sim sedimentou a certeza de que é impossível haver ser mais inteligente (ou mesmo menos inteligente em outros orbes).
Se esse preconceito for retirado pela razão e bom senso, o caminho estará aberto para recepção e entendimento. Uma vez aceita tal transição, pode-se continuar a leitura até seu final e, somente ao final, tirar as próprias conclusões. Se não tem tal capacidade não está pronto para continuar a leitura.
A afirmação principal é de que todo ser vivo deste planeta evoluiu dentro dos padrões geológicos e biológicos, em sincronia perfeita com as transformações resultantes dos fenômenos físicos internos e externos na Terra, no Sistema Solar, e assim por diante. Chamando os fenômenos de catástrofes ou transformações, espécies surgiram ou desapareceram totalmente sem afetar de forma artificial o equilíbrio do habitat. A resultante de uma transformação (ou catástrofe) natural era outra transformação e adaptação natural.
Primeiro no mar, depois na terra, e depois no ar, e por final de volta ao mar, espalhou-se a vida com as sucessivas adaptações, com ou sem catástrofes, com surgimentos e desaparecimentos, mas de forma naturalmente adaptativa.
Se há alguma dúvida sobre o equilíbrio evolutivo, basta analisar o ambiente marinho, onde a perfeição da existência está demonstrada na cadeia alimentar. Em ilhas desertas o equilíbrio natural também é demonstrado pela cadeia alimentar. Pássaros em quantidades lá existentes comem insetos e frutas impedindo a explosão da população de insetos e multiplicando a vegetação. Essas frutas surgem na estação adequada para servir de alimento dos pássaros e cada tipo de fruta serve a um fim: melhor plumagem no inverno, plumagem mais colorida na primavera. A vegetação cresce na estação certa e no tempo certo serve de alimento e moradia aos pássaros que espalham as sementes depois de ingeri-las. Serpentes se alimentam de filhotes de pássaros, por esse motivo a fêmea põe vários ovos por ninhada. As serpentes são caçadas por animais maiores, imunes aos venenos. Esses animais maiores quando morrem, ou mesmo vivos, servem de alimento aos insetos.
Tudo no planeta, o clima principalmente, realiza um trabalho cíclico equilibrado e mesmo quando ocorrem transformações, elas dão chance ao reequilíbrio através de readaptação.
Há um entretanto que propõe uma questão a ser ponderada no que se refere ao equilíbrio da vida no planeta. É a colocação do humano na vida da Terra.
Como foi usada a cadeia alimentar para analisar o perfeito equilíbrio na coexistência dos seres, continuemos com esse caminho para analisar a coexistência do homem com os seres da cadeia alimentar.
Primeiramente no mar, observamos que a lei da sobrevivência tem seus aspectos definidos como sendo: “o mais forte abocanha o mais fraco”. Essa é a idéia simplória, mas serve de partida mesmo omitindo os detalhes de mimetismo, camuflagem, etc. Onde colocamos o homem na cadeia alimentar marinha?
O humano dotado de criatividade quase extinguiu baleias. São necessárias leis para que camarões e sardinhas não deixem de existir. Praias, rios e lagos foram degradados e tornados mortos para os seres marinhos e se tornaram habitat de ratos e baratas.
Então coloquemos o humano na cadeia alimentar na terra. A criatividade intelectiva do homem, que o faz capaz de caçar, colher e coletar cada vez em volume maior, não o faz capaz de replantar no mesmo ritmo. Tigres, rinocerontes, preguiças quase extintos. Outras espécies já se foram. Galináceos criados com anabolizantes cancerígenos. Vegetais mutados. Doenças multiplicadas e mais nocivas produzidas direta ou indiretamente.
O ar é a desgraça mais ampla. Irrespirável em muitas cidades. Emissão de gases, vazamentos industriais, vazamentos radioativos. Aquecimento gradativo devido à diminuição da camada de ozônio. Guerras químicas. Desmatamentos descontrolados.
Então, o que se pode afirmar a respeito da colocação do homem? Onde ele se encaixa? Desde sua formação como sociedade, que se procedeu em virtude da inteligência, iniciou-se a degeneração do planeta.
Nada desse procedimento destrutivo tem a ver com mal ou bem. Nada disso tem a ver com religiosidade, deve-se somente à própria existência do homem. Basta ele existir para desequilibrar. Toda essa motivação destrutiva leva ao ponto em questão de que o homem não se encaixa na vida regular deste planeta.
Crenças antigas, algumas até mais religiosas ou filosóficas, afirmam que o humano foi trazido e “plantado” como experiência para que germinasse e evoluísse na Terra. Dito dessa forma pode-se acreditar que a experiência ainda não deu certa e mais: nessa velocidade destrutiva a sala de aula vai findar antes de o experimento terminar.
Uma comprovação interpretativa é encontrada na história bíblica, onde o homem foi “criado à imagem do criador”. Basta verificar nos estudos de ufologia e nas doutrinas filosóficas que todos os seres inteligentes de fora da Terra são bípedes e têm semelhança humanóide com proporções pouco variadas.
O aspecto religioso também mostra detalhes do experimento que não deu certo, pelo menos por enquanto. Isso pode ser encontrado no episódio da vinda de Jesus ao encontro da civilização humana. A pauta principal de sua vinda era a remissão de todos os pecados, ou seja, já que a experiência não resultou positiva, o humano deve ser perdoado, afinal o erro foi de quem criou com desacerto. E quando se diz “pecado original da criação”, a interpretação defectiva diz que a criação errada é a nossa por nós mesmos, mas é muito fácil entender que o erro da criação é o erro original, basta tirar o véu do preconceito.
Se os deuses eram ou não astronautas, isso não vem a ser a questão principal, mas se o erro foi colocar algo defeituoso na Terra, isso sim é o principal tópico.
Quer dizer então que não há remédio? Pelo contrário, há remédio para tudo que é vivo, mas o primeiro passo para correção do erro é admiti-lo e um dos grandes defeitos do homem é a falta de humildade.
O humano é dotado de cérebro, razão, raciocínio, mas para chegar à conclusão de algo é preciso iniciar uma introspecção livre de conceitos antecipados que embotam a mente. A existência ou não de um deus não pode interferir no livre arbítrio do homem de pensar livre e tirar suas próprias conclusões. Acredita-se que nem mesmo Deus iria querer limitar o livre arbítrio nesse aspecto.
Identificado o defeito, não se pode mais justificá-lo como sendo exculpável. Se conheço meu defeito não posso mais usá-lo como justificativa para meus erros, e por ação contrária devo corrigi-lo. Contudo, só posso chegar a uma análise clara se desobstruir minhas vias de raciocínio, livrando-me de todos os conceitos ditos como certeza absoluta por organizações e crenças.
Há quanto tempo as crenças que colocam o homem como centro da perfeição universal vem se afirmando? Essas falsas convicções são colocadas dentro do homem e somente ele mesmo pode diluí-las. Viemos sozinhos, voltaremos sozinhos.